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Tratamento para transtorno do jogo e vício em apostas com TCC e DBT em São Paulo

Terapia para transtorno do jogo e apostas com psicólogo em São Paulo

O transtorno do jogo é uma dependência comportamental reconhecida pelo DSM-5-TR e pela CID-11 e tem tratamento psicológico eficaz: a Terapia Cognitivo-Comportamental é a abordagem com maior evidência científica, e a abstinência sustentada é um objetivo realista para a maioria das pessoas que iniciam o tratamento. Eu trato o vício em apostas online, cassinos, “tigrinho” e outras modalidades de jogo com TCC e DBT, presencialmente em São Paulo (Moema), Campinas e Americana, e online para todo o Brasil.

No Brasil, o cenário mudou depois da regulamentação das apostas de quota fixa. O III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III, Unifesp, 2023–2024) estimou que 1,4 milhão de brasileiros já preenchem critérios para transtorno do jogo e que quase 11 milhões apresentam sintomas de dependência de apostas, com maior prevalência entre adolescentes e pessoas de baixa renda. Tenho vinte anos de experiência em dependências químicas e comportamentais, e a maior parte dos pacientes que chegam por esse motivo hoje aposta pelo celular, com dívidas que se formaram em poucos meses e que a família ainda não conhece.

O que é

O transtorno do jogo é um padrão persistente de comportamento de jogo que causa prejuízo clinicamente significativo. O DSM-5-TR (APA, 2022) o classifica entre os transtornos aditivos, ao lado da dependência de álcool e de outras substâncias, por compartilhar com elas os mesmos mecanismos: necessidade de apostar quantias cada vez maiores para obter a mesma excitação (tolerância), inquietação ou irritabilidade ao tentar reduzir (abstinência), tentativas repetidas e malsucedidas de controlar o jogo, preocupação constante com apostas, jogar para aliviar sofrimento emocional, voltar para recuperar o que perdeu, mentir sobre a extensão do problema, comprometer relações ou trabalho e depender de outras pessoas para resolver dívidas. O diagnóstico requer ao menos quatro desses nove critérios em doze meses. A CID-11 (OMS) usa a categoria 6C50, com subtipos predominantemente online e predominantemente presencial.

O que diferencia o transtorno de um hábito de apostar não é a frequência nem o valor, mas a perda de controle e a continuidade apesar das consequências. Muita gente aposta ocasionalmente, aceita perder o que definiu como limite e para. No transtorno, o limite deixa de existir: a perda gera a próxima aposta, a aposta gera a mentira, a mentira gera o isolamento, e o jogo passa a funcionar como regulador de emoções, e não como diversão.

Isso não é falta de caráter ou de força de vontade. É um comportamento aprendido e mantido por reforço intermitente, o mesmo princípio que torna as máquinas caça-níqueis e os jogos online tão eficazes em capturar a atenção: o ganho ocasional e imprevisível fortalece a repetição muito mais do que o ganho regular. As apostas pelo celular somam a isso a disponibilidade permanente, a velocidade dos ciclos de aposta e resultado, a gamificação com bônus e notificações, e a invisibilidade do dinheiro digital.

O transtorno do jogo raramente aparece sozinho. É comum coexistir com uso problemático de álcool, depressão, transtornos de ansiedade, TDAH e traços de impulsividade. E é a dependência com maior associação a ideação e comportamento suicida entre todas as adições, pela combinação de dívidas, vergonha e sensação de ausência de saída. Por isso a avaliação de risco integra a primeira sessão. Em crise, o CVV atende 24 horas pelo 188 e pelo site cvv.org.br.

Sinais e sintomas

Os sinais costumam se acumular em silêncio, porque o jogo online não deixa marcas físicas nem cheiro. Alguns dos mais frequentes:

Sinais comportamentais: apostar valores maiores ou por mais tempo do que o planejado; voltar a apostar para recuperar o que perdeu ("correr atrás do prejuízo"); tentar reduzir ou parar e não conseguir; esconder o celular, apagar históricos, criar contas em várias plataformas; pedir empréstimos, usar o limite do cartão, vender bens ou desviar dinheiro para continuar apostando; mentir para familiares ou parceiro sobre quanto e com que frequência aposta.

Sinais cognitivos: pensar em apostas grande parte do dia, planejando jogadas ou calculando como conseguir dinheiro; acreditar que é possível "ler" o jogo ou que uma sequência de perdas aumenta a chance de ganhar; lembrar com nitidez das vitórias e minimizar as perdas.

Sinais emocionais: usar apostas para lidar com angústia, culpa, tédio ou solidão; irritabilidade e inquietação quando não pode apostar; vergonha intensa e desesperança relacionadas às dívidas; oscilações bruscas de humor conforme o resultado.

Sinais físicos: insônia ou sono invertido pelas apostas noturnas, alterações de apetite, tensão e sintomas de ansiedade, uso de álcool ou outras substâncias associado ao jogo.

Duas perguntas de triagem validadas (questionário Lie/Bet) ajudam a identificar risco: você já sentiu necessidade de apostar quantias cada vez maiores? Já precisou mentir para pessoas importantes sobre o quanto aposta? Responder "sim" a uma delas justifica uma avaliação. Vale procurar ajuda profissional quando o jogo já produz dívidas, conflitos, mentiras ou sofrimento, ou quando a pessoa já tentou parar sozinha e não conseguiu, e vale procurar antes disso se houver histórico de dependência na família ou uso de álcool associado.

Como é o tratamento com TCC e DBT

A Terapia Cognitivo-Comportamental é o tratamento psicológico com maior suporte científico para o transtorno do jogo. A revisão sistemática com meta-análise de Eriksen e colaboradores (2023), que reuniu 29 ensaios clínicos randomizados e mais de três mil participantes, encontrou efeito de magnitude média a grande da intervenção psicológica sobre a gravidade do jogo, com a TCC apresentando a maior redução e o atendimento presencial produzindo os maiores efeitos. A revisão Cochrane de Cowlishaw e colaboradores (2012) e a diretriz britânica NICE NG248 (2025) apontam na mesma direção. A entrevista motivacional, isoladamente, não se mostrou eficaz nessa meta-análise, o que reforça a necessidade de um tratamento estruturado.

Nas sessões, o trabalho começa pela análise funcional: identificar em que situações, estados emocionais e horários o impulso de apostar aparece, o que o antecede e o que ele produz. Isso gera um mapa de gatilhos e permite planejar respostas alternativas. Em paralelo, trabalhamos a reestruturação das distorções cognitivas típicas do jogo: a ilusão de controle, a falácia do apostador ("depois de tantas perdas, agora vai"), a superstição, a memória seletiva das vitórias e a crença de que é possível recuperar o prejuízo apostando mais. Essas crenças são examinadas com evidências, não com moralização.

A terceira frente é o controle de estímulos: autoexclusão nas plataformas, inclusive pelo cadastro nacional de autoexclusão do governo federal, disponível desde dezembro de 2025, bloqueadores de sites e aplicativos, limites bancários e, nas primeiras semanas, o envolvimento de uma pessoa de confiança na gestão financeira. Não como punição, mas para reduzir a exposição enquanto as habilidades de enfrentamento são construídas. As tarefas entre sessões, como registro de impulsos, exposição planejada a situações de risco e prática das habilidades, são parte central do tratamento; a mudança acontece no intervalo entre os encontros, não apenas dentro deles.

A Terapia Comportamental Dialética acrescenta habilidades especialmente úteis quando o jogo funciona como regulador de emoções intensas. A tolerância ao mal-estar ensina a atravessar a fissura sem agir sobre ela, reconhecendo que o impulso sobe, atinge um pico e desce mesmo sem a aposta. O mindfulness treina perceber o impulso como um evento mental, não como uma ordem. A regulação emocional atua sobre a vulnerabilidade que antecede a recaída: sono, isolamento, conflitos e vergonha acumulada. A DBT é particularmente indicada quando há impulsividade acentuada, instabilidade emocional, traços de personalidade borderline ou histórico de comportamentos autolesivos.

Quando indicado, incluo sessões com familiares ou parceiros para orientar sobre o funcionamento da dependência, definir limites financeiros protetores e reduzir os ciclos de acusação e reconciliação. Em casos com comorbidade psiquiátrica, ideação suicida ou necessidade de suporte adicional, trabalho em rede com psiquiatria, grupos de apoio como os Jogadores Anônimos e, quando necessário, serviços de internação.

Quanto tempo dura

Os protocolos de TCC para transtorno do jogo testados em ensaios clínicos têm, em geral, entre 8 e 16 sessões estruturadas, com frequência semanal. Na prática clínica, o tempo total costuma ser maior, porque a fase de aquisição de habilidades é seguida por uma fase de prevenção de recaída, em que as sessões se espaçam para quinzenais e depois mensais. Um acompanhamento típico varia de quatro a doze meses, dependendo da gravidade, do tempo de evolução, das comorbidades e do grau de comprometimento financeiro e familiar.

A reavaliação é formal e periódica, com instrumentos padronizados de gravidade do jogo e acompanhamento de indicadores concretos: dias sem apostar, dinheiro gasto, presença de fissura, cumprimento das barreiras de acesso, qualidade do sono, funcionamento no trabalho e nas relações. A alta é combinada quando há abstinência sustentada, capacidade demonstrada de atravessar situações de risco sem apostar, um plano de prevenção de recaída escrito e, idealmente, restabelecimento da confiança nas relações afetadas. A recaída, se ocorrer, não é fracasso do tratamento; é tratada como informação sobre o que faltou no plano.

Como começar

O primeiro contato é pelo WhatsApp, de forma confidencial. Você não precisa ter decidido parar de apostar para começar a conversar; muitas pessoas chegam em dúvida, pressionadas pela família ou pelas dívidas, e é justamente essa ambivalência que trabalhamos no início.

A primeira sessão é de avaliação. Nela, levantamos o histórico do jogo, as modalidades e plataformas usadas, o comprometimento financeiro, as tentativas anteriores de parar, o uso de álcool ou outras substâncias, sintomas de depressão e ansiedade, e a avaliação de risco. Ao final, definimos juntos os objetivos, o formato e a frequência do acompanhamento.

O atendimento pode ser presencial em Moema (São Paulo), Campinas ou Americana, ou online para todo o Brasil, por videochamada em plataforma segura, com a mesma estrutura do presencial. As ferramentas de bloqueio e controle de acesso são trabalhadas em qualquer formato. O atendimento é particular, com emissão de recibo para reembolso pelo plano de saúde, quando houver cobertura, e para dedução no Imposto de Renda. Familiares que queiram orientação antes de a pessoa aceitar tratamento também podem me procurar.

Perguntas frequentes

Vício em apostas tem tratamento?+

Sim. O transtorno do jogo é uma condição clínica reconhecida e responde bem a tratamento psicológico estruturado, especialmente com Terapia Cognitivo-Comportamental.

Preciso parar completamente de apostar ou posso aprender a controlar?+

Na maioria dos casos de transtorno do jogo estabelecido, a abstinência é o objetivo mais seguro e realista. Essa decisão é construída ao longo da avaliação.

Como o tratamento lida com as dívidas?+

O tratamento trabalha a vergonha, a esperança de recuperar tudo e o segredo que impedem a pessoa de encarar as dívidas, e orienta um plano financeiro realista, com suspensão do acesso a crédito enquanto o padrão é interrompido.

Minha família pode participar?+

Sim, e frequentemente é indicado. Sessões com familiares ajudam a definir limites financeiros protetores e alinhar o apoio, respeitando o sigilo do processo.

Atende online para vício em apostas?+

Sim. O atendimento online tem a mesma estrutura do presencial e as ferramentas de bloqueio e controle de acesso são trabalhadas em qualquer formato.

O que fazer se eu tiver uma recaída durante o tratamento?+

Comunicar na sessão seguinte. A recaída é analisada como qualquer outro episódio: o que a precedeu, o que faltou, o que ajustar.

Referências

  1. American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5-TR. 5ª ed., texto revisado. Porto Alegre: Artmed; 2023.
  2. Organização Mundial da Saúde. CID-11: Classificação Internacional de Doenças, 11ª revisão. Categoria 6C50 — Transtorno do jogo. Genebra: OMS; 2022.
  3. Eriksen JW, Fiskaali A, Zachariae R, et al. Psychological intervention for gambling disorder: a systematic review and meta-analysis. Journal of Behavioral Addictions. 2023;12(3):613-630. doi:10.1556/2006.2023.00034.
  4. Cowlishaw S, Merkouris S, Dowling N, Anderson C, Jackson A, Thomas S. Psychological therapies for pathological and problem gambling. Cochrane Database of Systematic Reviews. 2012;(11):CD008937. doi:10.1002/14651858.CD008937.pub2.
  5. National Institute for Health and Care Excellence. Harmful gambling: identification, assessment and management. NICE guideline NG248. Londres: NICE; 2025.
  6. Johnson EE, Hamer R, Nora RM, Tan B, Eisenstein N, Engelhart C. The Lie/Bet Questionnaire for screening pathological gamblers. Psychological Reports. 1997;80(1):83-88.
  7. Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/UNIAD). III Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III): módulo sobre apostas e transtorno do jogo, 2023–2024. Divulgado pelo Observatório Brasileiro de Informação sobre Drogas, 2025.
  8. Ministério da Saúde; Ministério da Fazenda. Acordo de Cooperação Técnica para criação do Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas e ferramenta nacional de autoexclusão de sites de apostas. Brasília, dezembro de 2025.
  9. Wardle H, Dymond S, John A, McManus S. Problem gambling and suicidality: a systematic review and meta-analysis. Lancet Psychiatry. 2020.

Onde atendo

Atendimento presencial nas três unidades e online para todo o Brasil.

  • Moema — São Paulo

    Av. Carinás, 185 — 2º andar, Moema, São Paulo/SP, 04086-010

  • Campinas

    Av. Machado de Assis, 27 — Parque Taquaral, Campinas/SP, 13075-480

  • Americana

    Rua Achiles Zanaga, 404 — Vila Medon, Americana/SP, 13465-190

  • Online

    Sessões por videochamada em plataforma segura, para todo o Brasil.

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